4 Fevereiro, 2022

A prática regular de exercício físico pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver doenças coronárias

O exercício pode melhorar a qualidade de vida dos doentes com cancro?

Os benefícios do exercício em doentes ou sobreviventes de cancro.

As terapias contra o cancro têm aumentado as taxas de sobrevivência dos pacientes, mas os efeitos secundários, como a cardiotoxicidade e a neurotoxicidade, podem provocar disfunções do sistema nervoso autonómico e cardiovascular. Isto resulta numa diminuição da atividade parassimpática e num aumento da atividade simpática. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC), que reflete a modulação autonómica, é uma ferramenta fisiológica valiosa, uma vez que se correlaciona com a fadiga, o stress, a depressão e a mortalidade relacionados com o cancro em doentes com esta doença.

É a ciência que o diz…

De acordo com um estudo em que participaram especialistas do GO fit LAB, sabemos que é possível melhorar a qualidade de vida dos doentes ou sobreviventes de cancro em períodos de recuperação, diminuindo os possíveis efeitos secundários do tratamento, principalmente através do exercício físico. Para o comprovar, foram considerados seis estudos com 272 participantes com idades compreendidas entre os 30 e os 75 anos, tendo alguns deles recebido programas de treino com duração de 4 a 10 semanas, uma frequência de 1 a 3 dias por semana e uma duração média de 20 a 80 minutos.

Enquanto as terapias farmacológicas para o tratamento do cancro parecem induzir anomalias cardíacas, bem como um aumento do stress oxidativo e da inflamação crónica (Lakoski et al., 2015), ficou demonstrado que o exercício parece ter uma influência positiva no sistema nervoso autónomo dos doentes com cancro e nas suas consequências fisiológicas relacionadas. O exercício pode induzir o aumento de catecolaminas, que normalmente reduzem devido ao cancro e levam a alterações positivas na hipoxia tumoral, angiogénese, stress metabólico e imunidade celular (Hojman et al., 2018) através da produção de lactato, segundo o efeito Warburg (San-Millán e Brooks, 2016). Isto aumenta as respostas parassimpáticas e diminui o stress oxidativo local e os danos no ADN, ou seja, as reações inflamatórias (De Couck et al., 2012). Como consequência, é possível reduzir a capacidade de as células cancerosas formarem tumores em diferentes tecidos (Hojman et al., 2018) e o risco de desenvolver anomalias metabólicas (Licht et al., 2010) associadas a um mau prognóstico do cancro (De Couck et al., 2012).

Além de demonstrar estes benefícios para os sobreviventes de cancro, os relatórios do ACSM também destacam várias áreas novas de investigação, tais como a possibilidade de o exercício aliviar os efeitos secundários do tratamento (por exemplo, cardiotoxicidade e neuropatia periférica) ou a tolerância ao tratamento e a eficácia do mesmo.

Conclusões

Segundo o Dr. Frank Perna, diretor de programas na Divisão de Controlo do Cancro e Ciências Demográficas (DCCPS) do NCI, os dados de evidência da influência do exercício em muitos destes resultados são promissoras, mas ainda insuficientes. No entanto, explicou que a DCCPS está, atualmente, a financiar estudos que servirão para fortalecer as provas científicas e abordar estas e outras questões relacionadas com o efeito do exercício sobre o cancro.

Agora que sabemos que o exercício pode ser tão benéfico para cuidar da nossa saúde e evitar possíveis doenças, como para melhorar a qualidade de vida no caso de pacientes com cancro ou sobreviventes, no GO fit, queremos oferecer-lhe tudo o que estiver ao nosso alcance para o ajudar a consegui-lo. Segundo a OMS, 150 minutos de atividade física por semana é o segredo para o ajudar a viver mais e melhor, mantendo uma alimentação saudável e equilibrada, sem descurar a necessidade de descanso ativo para se manter motivado.

Não espere até ter mais motivos para ter uma vida saudável.

Viva mais e melhor com o GO fit!

Referências:

Can Exercise Reduce the Autonomic Dysfunction of Patients With Cancer and Its Survivors? A Systematic Review and Meta-Analysis.Ana Myriam Lavín-Pérez, Daniel Collado-Mateo, Xián Mayo, Gary Liguori, Liam Humphreys and Alfonso Jiménez.

Hojman, P., Gehl, J., Christensen, J. F., and Pedersen, B. K. (2018). Molecular mechanisms linking exercise to cancer prevention and treatment. Cell Metab. 27, 10–21. doi: 10.1016/j.cmet.2017.09.015.

Licht, C. M., Vreeburg, S. A., Van Reedt Dortland, A. K., Giltay, E. J., Hoogendijk, W. J., Derijk, R. H., et al. (2010). Increased sympathetic and decreased parasympathetic activity rather than changes in hypothalamic-pituitary-adrenal axis activity is associated with metabolic abnormalities. J. Clin. Endocrinol. Metab. 95, 2458–2466. doi: 10.1210/jc.2009-2801

De Couck, M., and Gidron, Y. (2013). Norms of vagal nerve activity, indexed by Heart Rate Variability, in cancer patients. Cancer Epidemiol. 37, 737–741. doi: 10.1016/j.canep.2013.04.016

San-Millán, I., and Brooks, G. A. (2016). Reexamining cancer metabolism: lactate production for carcinogenesis could be the purpose and explanation of the Warburg Effect. Carcinogenesis 38, 119–133. doi: 10.1093/carcin/bgw127

Artigos relacionados